Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Xaile da saudade
Este xaile já velhinho
É relíquia que contém
O perfume do carinho
Deixado por minha mãe.
Tem a cor da noite escura
Mas parece mais brilhante
Do que a luz celeste e pura
Duma estrela cintilante.
Doce pedaço de vida
Dos meus tempos de criança
É de minha mãe querida
Suave afecto e lembrança...
Nem uma fotografia
Que o tempo deixou marcado
Me dá tanta nostalgia
Como este xaile sagrado.
Inspira-me o seu amor
Quando ao beijar-me sorria
No seu colo acolhedor
Nesse xaile me envolvia.
Recordo minha mãezinha
Na sua simplicidade
Quando aos seus ombros tinha
Este xaile da saudade !....
Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Quem?

“Quem fui?
Um lápis sem ponta,
um papel amassado.
um isqueiro sem gás,
um livro usado,
um distintivo da paz,
um copo quebrado.
Enfim, não importa o que fui,
se para você não passei
de um objeto qualquer.
Quem Sou ?
Sou aquele que muito lhe quis,
em você acreditou
e o tempo inteiro pensou
que fosse possível esse amor.
Enfim, não importa o que sou
se para você nada significou.
Quem serei?
Serei aquele que um dia ousou sonhar
e, mesmo tropeçando nas dores da vida,
jamais deixou de acreditar
na existência de alguém
que realmente mereça o meu querer
e que demonstre o seu amor
sem medo de sofrer.”
Terça-feira, 17 de Novembro de 2009
Verde Vinho (Paulo Alexandre)
Ninguém na rua na noite fria,
Só eu e o luar...
Voltava à casa, quando vi que havia
Luz num velho bar.
Não hesitei,
Fazia frio e nele entrei...
Estando tão longe da minha terra,
Tive a sensação
De ter entrado numa taberna
De Braga ou Monção...
E um homem velho se acercou
E assim falou:
Vamos brindar com vinho verde,
Que é do meu Portugal!...
E o vinho verde me fará recordar
A aldeia branca que deixei atrás do mar...
Vamos brindar com verde vinho
Pra que possa cantar
Canções do Minho, que me fazem sonhar
Com o momento de voltar ao lar.
Falou-me então daquele dia triste,
O velho Luís;
Em que deixara tudo quanto existe
Pra fazer feliz
A noiva, a mãe, a casa, o pai
E o cão também.
Pensando agora naquela cena
Que na estranja vi,
Recordo a mágoa, recordo a pena,
Que com ele vivi;
Bom português,
Regressa breve e vem de vez!
Vamos brindar com vinho verde
Que é do meu Portugal!
E o vinho verde me fará recordar
A aldeia branca que deixei atrás do mar.
Vamos brindar com verde vinho
Pra que possa cantar
Canções do Minho que me fazem sonhar,
Com o momento de voltar ao lar.
Vamos brindar com vinho verde
Que é do meu Portugal!
E o vinho verde me fará recordar
A aldeia branca que deixei atrás do mar.
Domingo, 15 de Novembro de 2009
Encontro

Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
Evolução
Fui rocha em tempo e fui no mundo antigo
tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo...
Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
O, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paúl, glauco pascigo...
Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade...
Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.
1882, Antero de Quental in "Sonetos".Manuscrito original.
Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
Poema do pó da vida (Cecília Figueiredo)

Venho desculpar-me das minhas ações
Tantas ações que são minhas, animais
Outras, bissextas quando são sublimes
Mas preciso da tolerância de todas as pessoas
Dos que me compreendem, e
Ainda assim, amam-me
Amam-me pouco, bem sei
Não posso exigir que me amem demais
Há muita coisa no mundo para ser amada
Entre essas coisas,
É preciso amar o par, o filho, o gato,
A flor seca que ficou dentro do livro,
O mar pintado, o encantamento do circo;
E se me amam, um pouco que seja
Já me vale
Desculpo-me agora diante daqueles
Que não me souberam amar
Posto que eu não os soube amar.
Perdão se não amo de fato
Tenho aprendido coisas durante a minha existência
Coisas nem tão valiosas assim,
Como calcular a distância do trem que parte
Dentro da hora da sua partida e chegada
Sem que isso modifique a humanidade
Ou me modifique interiormente
Tenho compreendido o tempo que a abelha passa
Entre a flor e entre o trabalho de processar a flor
Sem que a flor deixe de ser flor
E abelha nem sequer note se há beleza na flor
Mas não tenho aprendido a amar a quem não preciso amar
Tolerem-me, todos,
Se não fui e ainda sou
Este ser que olha tudo e não remenda
Se a compaixão que demonstro é a auto-compaixão
Que só tem resmungos para si própria
Onde o vértice do meu mundo sou eu mesma
Que só conhece o absoluto dentro do eu
Perdôo-me também, dentro do meu abuso;
Busco uma humildade que até então não conhecia
Uma inferioridade que necessite ser nobre
Um abaixar de olhos, submisso
E digo para mim mesma;
Eu sou o pó da vida.
Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
Charles Chaplin
Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis.
Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.
Já abracei pra proteger, já dei risada quando não podia, fiz amigos eternos, amei e fui amado, mas também já fui rejeitado, fui amado e não amei.
Já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi de amor e fiz juras eternas, "quebrei a cara muitas vezes"!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos, já liguei só para escutar uma voz, me apaixonei por um sorriso, já pensei que fosse morrer de tanta saudade e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).
Mas vivi, e ainda vivo! Não passo pela vida… E você também não deveria passar!
Viva! Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é "muito" pra ser insignificante.
Sábado, 31 de Outubro de 2009
Ardina de Lisboa (Euclides Cavaco)
Pé descalço e calção roto
Imagem desse garoto
A quem chamamos ardina
Que em voz cantante apregoa
Pelas ruas de Lisboa
A imprensa matutina...
Ao romper da madrugada
De jornais cheia e pesada
Ao ombro põe a sacola
Num lesto desembaraço
Sem ter tempo nem espaço
Para os livros da escola.
E num desafio à vida
Trava esta luta atrevida
Por mercê do seu destino
Sem ter direito a brincar
Vê verdes anos passar
Sem chegar a ser menino.
Da pequena personagem
Ficou do tempo a imagem
Que perdura em cada esquina
Como um retalho de fado
Desse palco onde deu brado
A voz do pequeno ardina !...
Obs.: Caso queira tomar com o autor um cálice de poesia...
Entre por aqui : www.ecosdapoesia.com
Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
Ser Poeta

Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
Que mistério é esse
“Que mistério é esse
Que surge de repente
E através da distância...
Sem tocar... sem conhecer
Toma conta da gente?
Subjuga e escraviza
Nossa alma...
Nossa mente...
Liberando sentimentos
Desencadeando desejos
Quase sempre contidos...
Muitas vezes reprimidos
Que vêm à tona
Há tanto tempo perdidas.
Libertou-me da indiferença...
Renovou-me a confiança...
No amor e na esperança!
Mesmo sendo insensatez...
Modo louco de querer...
Sou feliz nessa fantasia...
Nesse sonho diferente
De toques...
Abraços e beijos
Que despertam o desejo...
Que conduzem ao êxtase...
Ao delírio do prazer!”