Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012
Ter asas

 

 

“Ter asas é Dançar na chuva...
É plantar uma árvore...
Ver a inocência nos olhos de uma criança...

É ficar bem quietinho ao lado da pessoa amada...
É subir uma montanha...
É encontrar os amigos e não falar nada importante, Mas falar, falar muito...
É cantarolar uma música antiga ...
É arrumar as gavetas, e dar um monte de roupas para quem precisa...
É andar sem rumo, só por andar...
É falar sozinho...
É sorrir para aquele velhinho lá da praça...
É ficar sentado na cozinha, assistindo a mãe fazer bolo...

Ah ! Ter asas é raspar a panela de brigadeiro com os dedos
É brincar
É rir de si mesmo
É ter um lugar secreto bem lindo e fugir para lá de vez em quando
E ficar de bobeira...
É tomar um banho de cachoeira, nadar em um rio
Ir para a praia, se cobrir de areia e pegar jacaré
Ter asas é viver intensamente as coisas simples e belas
Do dia a dia

Ter asas é ficar em silêncio e ouvir dentro da gente, o Deus
É isso que desejo para o Ano Novo que está chegando...

Que você tenha asas como das águias!!!!

Que a lua e as estrelas emprestem um pouco do seu brilho, para iluminar o novo ano, e que Deus nos dê "asas de águia" para voarmos bem alto na construção de um mundo melhor.”



publicado por escorpion às 02:12
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Sábado, 10 de Dezembro de 2011
Natal do Ausente

Aproveitando o dom poético do Amigo Euclides Cavaco, publico este poema que dá ênfase ao sentimento da saudade daqueles que pelas circunstâncias mais diversas passam o Natal ausentes da sua terra e dos seus.

 

 

No coração dum ausente
Está sempre bem presente
O seu velho Portugal
Que recorda com saudade
E mais emotividade
Nesta altura de Natal...

O Natal traz-lhe à lembrança
Os seus tempos de criança
Que não voltarão jamais
Da sua terra afastado
Recorda emocionado
Memórias dos seus Natais.

Lembra a família e amigos
Revive os tempos antigos
Onde tudo era diferente
Mais pobre no seu país
Mas contudo mais feliz
Que o seu Natal hoje ausente.

Sente imensa nostalgia
Ao recordar este dia
Que dentro da alma chora...
A quanto a saudade obriga
Calado ausente mitiga
Os seus Natais de outrora !...




publicado por escorpion às 17:57
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Sábado, 15 de Outubro de 2011
Poema Amor e Paixão (Oriza Martins)
 
 
Paixão é fogo, duradouro ou passageiro,
Que aquece o peito, nos inflama e satisfaz...
Delírio d’alma, que arrebata corpo e mente,
Mas de ferir, de machucar, ela é capaz.

Amor é brisa, perfumada, matinal,
Um arco-íris em matizes de ternura...
Porto seguro, nosso lume essencial,
Âncora e fonte de felicidade pura.

Rola a paixão numa ação devastadora
E o amor, num perene encantamento...
Se o tornado da paixão nos deixa marcas,
A aragem do amor alivia o sofrimento...

Porém nem sempre a paixão leva ao amor...
Também nem sempre o amor contém paixão...
Mas tendem ambos a se unir, nos confundir,
Nos instigantes meandros da sedução...

O que mais quero é para sempre equilibrar
Paixão e amor no mesmo rol das emoções...
Quero de amor à tua vida me enlaçar
E de paixão me entregar, sem restrições...

 


publicado por escorpion às 04:51
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Domingo, 11 de Setembro de 2011
Belo Belo (Manuel Bandeira)

Belo belo minha bela
Tenho tudo que não quero
Não tenho nada que quero
Não quero óculos nem tosse
Nem obrigação de voto
Quero quero
Quero a solidão dos píncaros
A água da fonte escondida
A rosa que floresceu
Sobre a escarpa inacessível
A luz da primeira estrela
Piscando no lusco-fusco
Quero quero
Quero dar a volta ao mundo
Só num navio de vela
Quero rever Pernambuco
Quero ver Bagdá e Cusco
Quero quero
Quero o moreno de Estela
Quero a brancura de Elisa
Quero a saliva de Bela
Quero as sardas de Adalgisa
Quero quero tanta coisa
Belo belo
Mas basta de lero-lero
Vida noves fora zero.


Petrópolis, fevereiro de 1947

 



publicado por escorpion às 16:28
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Quinta-feira, 11 de Agosto de 2011
Andanças de minha alma (Quinca)
No compasso de um passo sem rumo, marcho.
Em momento algum o devaneio de minha alma,
Corroído pela vasta sensação de triste calma,
Abandonou esse coração por um simples facho.

Ainda que meus olhos se fechem a verdadeira luz,
Que minha boca se cale diante de um som soturno,
Ainda que minha mente se prenda a um pensar noturno,
Não me furtarei de afastar de mim este nefasto lapuz.

No compasso de um passo inquieto, eu batalho.
Os versos usados na luta são mudos, mas urram
De complacência por um desejo eloqüente. Surram...
Mas de forma pacífica eles conseguem meu Serralho.
Inerte sensação de pesar sem pós-contentamento...
Divina comédia insana e incestuosa essa minha
Que vaga entre os maus dizeres de certa rainha.
Solidão! Ainda queres arrematar esse inútil sentimento?

No compasso de um passo sem medo, me vejo
A espreitar com veemência as animosidades alheias.
A gritar por alguém me traga logo uma candeia,
E que me vele com coração sincero, mas sem pejo.

 



publicado por escorpion às 04:02
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Sábado, 6 de Agosto de 2011
Os seus olhos (ad)

"Eles são gotas de cristal cheias de mistério
duas estrelas ocultas na madeira nobre
trazem um infinito no seu brilho sério
e uma luz que a sua escuridão encobre

Eles envolvem a sua existência no mundo,
duas lagoas que nas suas obscuras águas
escondem o amor no seu bem calmo fundo
e esquecem, de tantas mal curadas mágoas

Eles também agem como chamas acesas
duas labaredas queimando eternamente
mantêm em sua íris os meus como presas
para serem assados em uma brasa ardente

E perdido, totalmente a eles me entregarei
procurando perder-me na sua infinidade
e sem me queimar neles eu me aquecerei
e então mergulharei em sua eternidade

E se durante a noite fitam-me no escuro
contando-me coisas para me enlouquecer
eterno enfeitiçado, ajoelho-me e juro
não os esquecer, em todo meu viver

E na madrugada em que ficam cerrados
a velar seus sonhos após cansado dia
beijo esses olhos que são meus amados
para os proteger da madrugada fria

Quando se abrem despertos a degustar a luz
em um novo dia vindo para nos deliciar
envoltos de um mistério que a mim seduz
mantêm--me na cama em tênue sonhar

E para um longo dia em que longe dos meus
sofrerão com duros olhos que hão de encará-los
levarei meus olhos para o fundo dos seus
como se meu amor pudesse confortá-los

E no findar da tarde, vendo o sol caindo
na cortina do horizonte em rubro clarão,
eu abraço seus olhos como que pedindo
que aos meus respondam se os amarão

E os seus olhos brilham quando em noite revolta
trocamos mil segredos entre os nossos lábios
vejo nos seus olhos quando assim tão solta
toda nossa história escrita em alfarrábios

Aonde estão seus olhos quando os procuro
no meio das cobertas de uma cama vazia
eu perco-me relembrando o seu brilho puro
e acordo sozinho no raiar de um novo dia

Mas bastam suas pálpebras saírem a me piscar
para que exultante meu coração seja saciado
então eu volto, a nos seus, os meus olhos jogar
e nossas bocas deixarão as palavras de lado

Seus olhos são o início dos meus pensamentos,
o doce meio pelo qual os meus esperam viver,
e da procura o fim que sonho ver há tempos;
todo meu mundo, todo o sonho do meu ser ... "



publicado por escorpion às 12:38
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Sexta-feira, 22 de Julho de 2011
Amor de passagem



publicado por escorpion às 13:54
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Quarta-feira, 20 de Julho de 2011
Os Viajantes (Edméa Reina Gallardo)

 

Estou de volta
Pois não esqueço a minha paixão
O ar de minha terrinha
Do meu chão
Trouxe presentes
Poucos…
Pois muito não ganhei
Venho tão cansado
Mas cheio de esperança
Com o peito carregado de vontade
de não mais sair do meu quinhão
Tenho tanto para contar
Andei por tantas estradas
Carregado sempre de tantas esperanças
Lavrei tantas terras
Venho tão cansado
Tão só
Vou esperar a noite chegar
E ver os vaga lumes clarear meu coração
Ouvir o violeiro
Em noite de luar
A consolar meu coração
Esquecer
As estradas que o mundo tem
Das noites frias
E de tanta solidão



publicado por escorpion às 02:05
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Terça-feira, 28 de Junho de 2011
Idade

"A primeira idade é a número um,
a segunda idade é a número dois.
A terceira idade é tudo junto:
Pai, Filho e Espírito Santo.
É a idade que soma tudo,
O jovem e velho juntos.
É um velho infante".

 

(Gilberto Gil)



publicado por escorpion às 01:00
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Quinta-feira, 16 de Junho de 2011
Tautólogo

Eu repito, repito

e apenas repito

aquilo que acho

que nunca haver-se-á

dito sobre o “não dito”.

 

Simplesmente, o que creio

não ter sido dito

é aquilo que com certeza

me instiga a dizer.

 

Mas se vejo o que penso, dito:

desdigo e digo novamente

aquilo que pensava

eu ser inédito e que,

portanto me faria ter o crédito.

 

Ser reconhecido como gênio,

ou apenas ter o aplauso do intelecto,

seriam recompensas

a elevar o moral de meu ego,

ou o meu indiscreto eu.

 

No entanto, o que digo

nunca é novo!

É apenas mais uma

repetição amistosa

ou regressiva de escrever

a mesma melodia fria,

que um dia pensara eu

em escrever.

 

(Shannya Lacerda)



publicado por escorpion às 22:16
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