Se a água é o símbolo da vida
É graças ao poder do Astro Rei
Que a Terra aos humanos dá guarida
E excede muito além tudo o que sei.
Será que seja o Sol fonte Divina
A revelar de Deus a Majestade?
Inspirando aos seres humanos a doutrina
De nascer p'ra todos em igualdade.
Deus à Terra o Sol da vida quis dar
P'ra todo o ser igual sem distinção
Sem direito de alguém jamais roubar.
Mas no mundo há do Sol muito ladrão.
Eu quero com todos compartilhar
Lustre o Sol que pousou na minha mão!
Anjos já amaram e por amor também choraram;
por alguém que encontraram
enquanto na Terra transitaram...
já sentiram seu Ninho vazio...
Promessas muitas já fizeram
às suas amadas, em noites enluaradas...
Estrelas viram pontilhar
e quiseram do Céu fazer descer,
para um buquê de rosas enfeitar
e o brilho fazer realçar...
Pediram para o arco-íris aparecer
e enfeitar a estrada onde ela ia passar...
Também viram a Lua cor de prata,
sua luz derramar, a mata clarear
e de amor se por a cantar...
No Mar, seus cabelos cacheados como as ondas, lembrar...
E o brilho do sol em teu olhar penetrar...
Tristonhos e perdidos também se viam,
quando esquecidos...
Mas de todas as que amavam,
uma para sempre ficava...
No coração penetrava
e de lá não mais se afastava...
Então, na solidão ficavam
e mil castelos formavam...
E a paixão os fazia sofrer!
E por mais que quisessem,
não conseguiam dela esquecer...
Anjos já sofreram, já ficaram solitários...
De todas que encontrei também um só amei...
Em meu peito se instalou
e nunca mais daqui eu afastei...
Por mais que à Deus pedisse,
E me dispusesse a orar,
do coração, nunca a consegui retirar!
Alguém me ouviu isto falar!
E uma forte voz, ouvir se fez...
É Sua, deves com ela caminhar,
obstáculos galgar e aprender a amar!
Não se abstenha de a ela servir,
e este amor sublimar...
Quanto mais eu pedi,
mais forte o liame se fazia
E a paixão aumentava...
E a Voz repetia!
Paixão é cega, leva à escuridão!
Amor verdadeiro não é egoísta, quer tudo doar...
Vais dela se afastar, aprender a amar,
para de novo com ela se encontrar...
O Amor um dia vai a Terra sublimar...
Humilde ao Pai, promessa eu fiz...
Vou aprender a Te Amar e,
juntos um dia vamos ficar...
Paixão é...
Sentir no peito um cavalo bravo obstáculos saltar...
Uma tempestade descer e o fogo continuar a queimar...
É um ciclone enfurecido que a Alma quer levar...
Lívio, um Anjo Poeta
(Psicografia:Maju)
A nossa grande heroína
Que tocou a Pátria inteira
Era uma simples ceifeira
Que se chamou Catarina.
Triste foi a sua sina
Por querer trabalho e pão
Mataram sem ter razão
A infeliz Catarina.
Três tiros de carabina
No Monte do Olival
Marcam o lugar fatal
Onde tombou Catarina.
Maldita mão assassina
Crime hediondo de horror
A fúria dum ditador
Assassinou Catarina.
O Sol jamais ilumina
Esse pedaço de solo
Onde com um filho ao colo
Mataram a Catarina.
Seu nome entre outros culmina
Nas terras de Baleizão
P'ra toda a nossa Nação
Serás sempre a Catarina !...
Obs.: Caso queira ouvir este poema declamado pelo seu autor acesse
“Ter asas é Dançar na chuva...
É plantar uma árvore...
Ver a inocência nos olhos de uma criança...
É ficar bem quietinho ao lado da pessoa amada...
É subir uma montanha...
É encontrar os amigos e não falar nada importante, Mas falar, falar muito...
É cantarolar uma música antiga ...
É arrumar as gavetas, e dar um monte de roupas para quem precisa...
É andar sem rumo, só por andar...
É falar sozinho...
É sorrir para aquele velhinho lá da praça...
É ficar sentado na cozinha, assistindo a mãe fazer bolo...
Ah ! Ter asas é raspar a panela de brigadeiro com os dedos
É brincar
É rir de si mesmo
É ter um lugar secreto bem lindo e fugir para lá de vez em quando
E ficar de bobeira...
É tomar um banho de cachoeira, nadar em um rio
Ir para a praia, se cobrir de areia e pegar jacaré
Ter asas é viver intensamente as coisas simples e belas
Do dia a dia
Ter asas é ficar em silêncio e ouvir dentro da gente, o Deus
É isso que desejo para o Ano Novo que está chegando...
Que você tenha asas como das águias!!!!
Que a lua e as estrelas emprestem um pouco do seu brilho, para iluminar o novo ano, e que Deus nos dê "asas de águia" para voarmos bem alto na construção de um mundo melhor.”
Aproveitando o dom poético do Amigo Euclides Cavaco, publico este poema que dá ênfase ao sentimento da saudade daqueles que pelas circunstâncias mais diversas passam o Natal ausentes da sua terra e dos seus.
No coração dum ausente
Está sempre bem presente
O seu velho Portugal
Que recorda com saudade
E mais emotividade
Nesta altura de Natal...
O Natal traz-lhe à lembrança
Os seus tempos de criança
Que não voltarão jamais
Da sua terra afastado
Recorda emocionado
Memórias dos seus Natais.
Lembra a família e amigos
Revive os tempos antigos
Onde tudo era diferente
Mais pobre no seu país
Mas contudo mais feliz
Que o seu Natal hoje ausente.
Sente imensa nostalgia
Ao recordar este dia
Que dentro da alma chora...
A quanto a saudade obriga
Calado ausente mitiga
Os seus Natais de outrora !...

|
Paixão é fogo, duradouro ou passageiro,
Que aquece o peito, nos inflama e satisfaz... Delírio dalma, que arrebata corpo e mente, Mas de ferir, de machucar, ela é capaz. Amor é brisa, perfumada, matinal, Um arco-íris em matizes de ternura... Porto seguro, nosso lume essencial, Âncora e fonte de felicidade pura. Rola a paixão numa ação devastadora E o amor, num perene encantamento... Se o tornado da paixão nos deixa marcas, A aragem do amor alivia o sofrimento... Porém nem sempre a paixão leva ao amor... Também nem sempre o amor contém paixão... Mas tendem ambos a se unir, nos confundir, Nos instigantes meandros da sedução... O que mais quero é para sempre equilibrar Paixão e amor no mesmo rol das emoções... Quero de amor à tua vida me enlaçar E de paixão me entregar, sem restrições... |
Belo belo minha bela
Tenho tudo que não quero
Não tenho nada que quero
Não quero óculos nem tosse
Nem obrigação de voto
Quero quero
Quero a solidão dos píncaros
A água da fonte escondida
A rosa que floresceu
Sobre a escarpa inacessível
A luz da primeira estrela
Piscando no lusco-fusco
Quero quero
Quero dar a volta ao mundo
Só num navio de vela
Quero rever Pernambuco
Quero ver Bagdá e Cusco
Quero quero
Quero o moreno de Estela
Quero a brancura de Elisa
Quero a saliva de Bela
Quero as sardas de Adalgisa
Quero quero tanta coisa
Belo belo
Mas basta de lero-lero
Vida noves fora zero.
Petrópolis, fevereiro de 1947
"Eles são gotas de cristal cheias de mistério
duas estrelas ocultas na madeira nobre
trazem um infinito no seu brilho sério
e uma luz que a sua escuridão encobre
Eles envolvem a sua existência no mundo,
duas lagoas que nas suas obscuras águas
escondem o amor no seu bem calmo fundo
e esquecem, de tantas mal curadas mágoas
Eles também agem como chamas acesas
duas labaredas queimando eternamente
mantêm em sua íris os meus como presas
para serem assados em uma brasa ardente
E perdido, totalmente a eles me entregarei
procurando perder-me na sua infinidade
e sem me queimar neles eu me aquecerei
e então mergulharei em sua eternidade
E se durante a noite fitam-me no escuro
contando-me coisas para me enlouquecer
eterno enfeitiçado, ajoelho-me e juro
não os esquecer, em todo meu viver
E na madrugada em que ficam cerrados
a velar seus sonhos após cansado dia
beijo esses olhos que são meus amados
para os proteger da madrugada fria
Quando se abrem despertos a degustar a luz
em um novo dia vindo para nos deliciar
envoltos de um mistério que a mim seduz
mantêm--me na cama em tênue sonhar
E para um longo dia em que longe dos meus
sofrerão com duros olhos que hão de encará-los
levarei meus olhos para o fundo dos seus
como se meu amor pudesse confortá-los
E no findar da tarde, vendo o sol caindo
na cortina do horizonte em rubro clarão,
eu abraço seus olhos como que pedindo
que aos meus respondam se os amarão
E os seus olhos brilham quando em noite revolta
trocamos mil segredos entre os nossos lábios
vejo nos seus olhos quando assim tão solta
toda nossa história escrita em alfarrábios
Aonde estão seus olhos quando os procuro
no meio das cobertas de uma cama vazia
eu perco-me relembrando o seu brilho puro
e acordo sozinho no raiar de um novo dia
Mas bastam suas pálpebras saírem a me piscar
para que exultante meu coração seja saciado
então eu volto, a nos seus, os meus olhos jogar
e nossas bocas deixarão as palavras de lado
Seus olhos são o início dos meus pensamentos,
o doce meio pelo qual os meus esperam viver,
e da procura o fim que sonho ver há tempos;
todo meu mundo, todo o sonho do meu ser ... "